Meu nome é Ana Leila, tenho 40 anos e sou, com todo o meu coração, do Juá, distrito de Irauçuba. Sou filha do Jonas e da Fátima, e é nessa terra que finquei minhas raízes e construí minha força para ser mãe da Laisa e do Pedro.
A música sempre foi o meu sonho, mas aos 18 anos a vida me chamou para uma missão maior: pausei o meu canto para cuidar da minha filha. O tempo seguiu e me trouxe provações duras. Aos 21 anos, perdi minha mãe, Fátima, e mais tarde o câncer também levou meu pai, Jonas. Por muito tempo, o silêncio da saudade ocupou o lugar que antes era da melodia.
Aos 39 anos, enfrentei o meu maior deserto: o diagnóstico de câncer de mama. Foi ali, na fragilidade da vida, que entendi o quanto ela é fugaz. Percebi que não dava mais para adiar o que me faz vibrar. O câncer não me calou; ele me deu a urgência de voltar a ser quem eu nasci para ser.
Nesse renascimento, não estive sozinha. Meus amigos me abraçaram com um amor que me deu sustentação para viver este grande resgate. Hoje, aos 40 anos, estou de volta ao meu sonho de cantar.
Sou uma mulher do Juá, uma sobrevivente que carrega as cicatrizes da luta e a alegria da vitória. Voltar a cantar é honrar a memória dos meus pais e mostrar para os meus filhos que nunca é tarde para recomeçar. Minha voz agora é cura, é gratidão e é a prova viva de que a música sempre encontra o caminho de volta para casa.